sábado, 7 de julho de 2007

O Cristo Redentor é uma das novas Sete Maravilhas do Mundo


O Cristo Redentor acaba de ganhar seu posto entre as novas Sete Maravilhas do Mundo, anunciadas em Lisboa durante cerimônia oficial no estádio da Luz.
O símbolo do Rio de Janeiro, que acolhe a chegada de turistas do mundo todo à Cidade Maravilhosa, assume seu lugar na nova lista de Maravilhas do Mundo ao lado de seis outras obras: a Grande Muralha da China; a cidade helenística de Petra, na Jordânia; a cidade inca de Machu Picchu, no Peru; a pirâmide de Chichen Itzá, no México; o Coliseu, antiga arena de combates em Roma; e o túmulo do Taj Mahal, na Índia.
A lista representa os votos de mais de 100 milhões de pessoas. Inicialmente, qualquer local podia ser indicado como um das novas sete maravilhas.
No fim de 2005, a lista que contava com 200 monumentos foi reduzida aos 77 mais votados.
A partir daí, um grupo de arquitetos, sob a coordenação do ex-diretor geral da Unesco Federico Mayor Zaragoza, escolheu os 19 finalistas, com base nos critérios de beleza, complexidade, valor histórico, relevância cultural e significado arquitetônico.
Os votos definitivos passaram a ser computados a partir de janeiro deste ano. Na última contagem, divulgada há três semanas, o Cristo Redentor estava entre os dez mais votados – mas o número de votos de cada monumento não foi divulgado.
Os dois países que mais se envolveram na campanha foram o Brasil e a Índia. No Brasil, a campanha foi bancada pelo grupo Bradesco e incluiu mensagens de várias personalidades da política, do futebol e dos espetáculos, incluindo o presidente.

A cerimônia em Lisboa contou com a participação do ex-astronauta Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a atriz e cantora Jennifer López e o primeiro-ministro português José Socrates, presidente em exercício da União Européia (UE). A apresentação do evento foi feita pelo ator britânico Ben Kingsley e pela atriz americana Hillary Swank. A superprodução deve ser retransmitida em mais de 170 países, com uma audiência estimada em 1,6 bilhão de espectadores. A primeira parte foi dedicada à proclamação das sete maravilhas de Portugal, que não tem nenhum lugar na competição mundial. A cerimônia não tem apoio unânime e a Unesco, órgão da ONU que se dedica ao patrimônio cultural mundial, decidiu não participar do evento.

Cheio de história
Embora o monumento tenha sido inaugurado em 12 de outubro de 1931, a construção do Cristo recua conceitualmente pelo menos até a metade do século 19, quando a Igreja Católica já planejava a construção de algo da mesma magnitude no Rio. Finalmente, em 1922, quando o Brasil comemorou cem anos como nação independente, foi lançada a pedra fundamental da estátua. As obras começaram para valer, porém, em 1926. O projeto foi do engenheiro Heitor da Silva Costa. Quem desenhou a estátua foi o artista plástico Carlos Oswald, e seu escultor foi o francês de origem polonesa Paul Landowski. A estátua, feita de pedra-sabão, é considerada patrimônio histórico desde 1937. No ano passado, o Cristo também foi declarado um santuário religioso.

Gustav Mahler - A busca pela harmonia do Universo

Singela homenagem ao grande compositor e maestro Gustav Mahler no seu 147º aniversário

"Donde viemos? Aonde é que nos leva o nosso caminho? Por que me é dado sentir que sou livre, enquanto que estou confinado, porém, dentro dos limites da minha personalidade, como numa prisão? Qual é o objetivo da labuta e do sofrimento? Será o sentido da vida revelado pela morte?" (Kennedy, Michael. Mahler, JZE, RJ, 1988:p.38)

Esta busca - e a certeza - de um mundo melhor, sempre esteve presente em Mahler, ainda que permeado por dúvidas e antagonismos típicos da era da incerteza que viva a Europa na virada do século. Um pouco de sua vida e sua obra - uma incessante e apaixonada busca pela Harmonia e por Deus - é contada aqui, através de um breve resumo biográfico.

A passagem do século XIX para o XX foi marcada por mudanças substanciais na cultura, ciências e artes da Europa. A era das vanguardas artísticas, que tornou as artes plásticas independentes da necessidade de representação fiel da natureza, abriu espaço para o cubismo com Picasso e o surrealismo com Dalí; o simbolismo na literatura tomou lugar da tradição romântica de descrições minuciosas e abriu espaço para metáforas poéticas, subjetivas; James Clerk Maxwell, Max Planck e Albert Einstein revolucionam a física com modelos de comportamento atômico que ultrapassavam a mecânica newtoniana, e o mundo conheceu a relatividade do espaço e do tempo; Sigmund Freud descobre a importância fundamental da psiquê em nossas vidas, o sutil limite entre o consciente e o inconsciente, inaugurando a psicologia como ciência; os irmãos Lumière inventam o cinema e George Eastman faz da fotografia uma arte popular; Gottlieb Daimler e Karl Benz inventam o automóvel.

Dentro de tão rico cenário, a música também gerou representantes destas profundas transformações de consciência, tendo como porta-voz o compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911), uma das personalidades mais marcantes e influentes do cenário musical europeu na virada do século.

Magro, baixo e atlético, Mahler foi durante sua vida um homem reservado e misterioso, de poucas palavras, mas de muita ação. Seus contemporâneos quase que não o conheciam como compositor, pois foi na atividade de maestro que adquiriu fama e fortuna; segundo dizem, um dos mais extraordinários regentes que a música já teve. Dono de uma enorme intuição estética e um profundo senso de conjunto, Mahler submetia os músicos da orquestra a longos e exaustivos ensaios, repetindo quantas vezes fossem necessárias as passagens que não satisfaziam seus altos padrões musicais, na intenção de extrair os melhores resultados na interpretação das obras. Seus esforços neste sentido - e que também lhe deram fama de ditador excêntrico e chato entre os músicos - renderam todas as glórias de sua vida.

Nasceu numa pequena aldeia na Bohêmia (hoje Áustria) chamada Kalischt, a 7 de julho de 1860, o segundo filho do casal Bernard Mahler e Marie Hermann. Seu irmão mais velho faleceu ainda criança e Gustav foi tido como primogênito. Cedo seu pai descobriu os dotes musicais de Gustav e incentivou-o assiduamente, trabalhando a duras penas para sustentar seus estudos, pois eram de família muito pobre e Bernard tinha sérios problemas com a bebida. Após a morte deste, Gustav sustentou toda a família de 6 irmãos e a mãe.

Após passar bons anos no conservatório estudando piano e composição, aos 20 anos de idade, Mahler decidiu tornar-se regente, começando num posto de maestro assistente em Hall, cidadezinha no norte da Áustria, em que regia pequenas comédias musicais e ainda varria o fosso da orquestra após cada apresentação. Mesmo com um repertório simples e aquém de sua capacidade, sua habilidade musical fez extrair magníficos resultados, que permitiu a ele pleitear postos melhores. Passou por Leipzig e Dresden, regendo óperas e concertos, sempre com a dedicação ao trabalho como ponto fundamental, o que suscitou a inveja de seus concorrentes.

Era um jovem assíduo, sério e dedicado, de enorme talento e profundamente comprometido com a música que tanto amava, e não foi difícil arrumar algumas brigas com administradores e regentes mais velhos que se sentiram ameaçados. Em 1888 foi indicado para a orquestra da Ópera de Budapest, uma casa tradicional mas que vivia seu pior momento financeiro, estando à beira da falência. Ao contrário do que seus detratores pensaram ao indicá-lo, ou seja, que ele afundaria com o teatro, Mahler em pouco tempo reorganizou a administração da casa, renovou o repertório e montou óperas inteiras de Wagner e Mozart com tamanho zelo, empenho e perfeição que se tornaram enorme sucesso, fazendo a casa dar lucro novamente. Sua fama começou a se espalhar pela Europa e já em 1891 estava emHamburgo, dirigindo a casa de ópera que antes pertencia ao lendário Hans von Bülow, que não poupou elogios a Mahler quando o ouviu reger pela primeira vez. Em 1892 passou por Londres a convite do Covent Garden para reger Wagner no Royal Opera House, e sua disciplina férrea incluiu estudos de inglês para conduzir a orquestra com mais segurança e desenvoltura. O sucesso foi imenso, o público gritava 'Mahler' e aplaudia incessantemente até ele aparecer no palco, repetindo a ação ao término de cada ato da ópera.

Mahler continuou sua carreira triunfal até o ponto culminante, o cargo musical mais cobiçado de toda a Europa: Maestro titular da Ópera Imperial de Viena. Mahler conquistou o posto em 1897, permanecendo nele por 10 anos e coroando sua carreira com o definitivo reconhecimento de seu meticuloso empenho em fazer a melhor música que podia. Pouco depois, em 1902, casou-se com Alma Schindler, descrita por vários biógrafos como 'a mulher mais bela de Viena'. Mas Mahler não estava satisfeito, apesar do sucesso profissional. Estava rico, bem casado, reconhecido internacionalmente, mas algo ainda o atormentava profundamente. Por que razão um músico tão completo, que havia triunfado na vida, alcançado o cargo mais importante que se podia almejar, insistia em passar todas as suas férias anuais - seu único tempo disponível - a escrever enormes sinfonias de expressividade ímpar, tão íntimas e ao mesmo tempo tão sólidas? Embora tivesse produzido muitas canções, algumas com acompanhamento ao piano e outras com orquestra, suas dez colossais sinfonias são a coluna dorsal de sua produção musical. Todas elas, apesar das enormes diferenças formais, formam um todo tão uno e coeso, que muito estudiosos se espantam com a capacidade de Mahler, sendo tão atarefado como regente, não deixar nunca outras obras interferirem em sua inspiração, preservando um estilo individual marcante e inconfundível. Obras de grande intensidade dramática, orquestração rica e linhas melódicas abundantes, que são a chave para o entendimento das idéias deste homem místico, solitário e melancólico. O próprio Mahler disse certa vez ao compositor Jean Sibelius: 'A Sinfonia é o mundo! A Sinfonia deve abranger tudo!' De fato, levando em conta a origem da palavra Sinfonia, que significa "soar em conjunto", podemos entender o quanto era caro a Mahler o sentido de transformar sons diversos em harmonia pura, organização musical das mais exigentes.


quinta-feira, 5 de julho de 2007

Tragédia do Sarriá completa 25 anos

Tinha 10 anos e morava em Madrid naquela época. Foi sem dúvida o meu "trauma" da infância. Ao menos guardo o gostinho de ter assistido ao vivo com meus pais em Sarriá, dias antes, à grande vitória do Brasil sobre a Argentina, por 3 a 1. E com um Maradona que acabou expulso. Inesquecível, rsrsrs... ;-)

Em 1982, Itália eliminava time dos sonhos.

Se você procurar pelo texto da Copa do Mundo de 1982 no site da Fifa, vai encontrar um título curioso, cuja primeira referência não é ao campeão: "Brasil brilha, mas Rossi ganha o ouro para a Itália". Fala-se primeiro da melhor seleção do campeonato, depois do personagem principal e, por último, da equipe que ficou com o troféu.

A derrota da melhor seleção para aquela que ficou com o troféu completa 25 anos nesta quinta-feira, 5 de julho. A partida, ainda hoje uma das mais vivas na memória esportiva brasileira, ficou conhecida como Tragédia do Sarriá, nome do estádio onde foi disputada.

O Sarriá não existe mais: foi demolido em 1997 para que o Espanyol, de Barcelona, vendesse o terreno e pudesse pagar suas dívidas. Mas a história permanece e é conhecida: precisando apenas de um empate para ir à semifinal, o Brasil perdeu por 3 a 2 para a Itália, com três gols de Paolo Rossi.

Os jogadores daquela seleção canarinho, que por muito tempo evitaram tocar no assunto, hoje parecem ter superado o episódio.

- Foi um privilégio participar de um grupo que representou tanto para o futebol mundial. Falo da Copa de 1982 com muito prazer, pois consegui muitas coisas na vida por causa dela. Ganhar ou perder é do jogo. Pode acontecer com todo mundo - comenta Júnior, lateral-esquerdo daquele time.

Carrasco na sala de Oscar

O ex-zagueiro Oscar também garante não ter problema em falar da Tragédia do Sarriá. E até guarda em casa uma recordação do carrasco do Brasil.

- Convivo muito bem com o que aconteceu. Até tenho uma foto do Paolo Rossi em minha sala. Aquele time deixou uma lembrança positiva. Fiquei algum tempo sem ver as imagens do jogo, mas agora vejo com alegria. Os times de 1970 e 1982 são os mais lembrados e isso me deixa feliz.

Como em todo fracasso mal digerido, a Tragédia do Sarriá suscitou teorias que explicavam a eliminação do Brasil. Uma delas era que os jogadores que atuavam no Rio de Janeiro não se davam bem com os de São Paulo, criando um racha no elenco.

- Essa coisa de ciúmes entre jogadores de São Paulo e Rio de Janeiro foi inventada. Meu amigo para sair era o Serginho Chulapa, por exemplo - conta Júnior.

A polêmica das placas publicitárias

A outra polêmica, inventada ou não, era de que alguns jogadores recebiam mil dólares para comemorar seus gols junto a uma placa publicitária. A acusação partiu de um dos integrantes daquela seleção, o zagueiro Edinho. Segundo ele, os favorecidos eram Serginho e Éder.

- Esse negócio de correr para as placas quando fazia gol nunca existiu. Estou procurando o dinheiro até agora. Aliás, estou precisando. Ninguém em uma Copa do Mundo vai marcar um gol e procurar placa - argumenta Éder.

Serginho também já deu entrevistas desmentindo a acusação. As teorias extracampo buscam explicar a frustração de um time que parecia perfeito. A Tragédia do Sarriá é usada até hoje como um exemplo do confronto entre o futebol arte e o futebol de resultado. Até chegar à segunda fase, o Brasil vencera seus três jogos, fazendo dez gols, enquanto a Itália empatara todos, marcando só dois.

Os primeiros gols de Paolo Rossi

Nos três jogos da primeira fase e na partida de estréia na segunda fase, contra a Argentina, Paolo Rossi não balançou a rede uma vez sequer. Foi contra o Brasil, marcando três gols, que o atacante com então 25 anos iniciou sua trajetória rumo à artilharia do Mundial.

Depois, fez os dois gols da vitória por 2 a 0 sobre a Polônia, na semifinal, e abriu o placar na decisão contra a Alemanha Ocidental, em que a Itália fez 3 a 1 no Santiago Bernabéu e sagrou-se campeã.

O curioso é que a escalação de Paolo Rossi fora muito criticada pela imprensa italiana durante a fase de preparação para a Copa e mesmo na Espanha.



Ficha da partida
ITÁLIA 3 x 2 BRASIL


Itália:
Zoff
Gentile
Cabrini
Collovati
(Bergomi)
Scirea
Tardelli
(Marini)
Antognoni
Oriali
Conti
Paolo Rossi
Graziani
Técnico: Enzo Bearzot

Brasil:
Waldir Peres
Leandro
Oscar
Luizinho
Júnior
Cerezo
Falcão
Zico
Serginho
(Paulo Isidoro)
Sócrates
Éder
Técnico: Telé Santana

Gols:
Paolo Rossi, aos 5 e aos 25
Sócrates, aos 12 minutos do primeiro tempo
Falcão, aos 23
e Paolo Rossi, aos 29 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Gentile e Oriali (Itália)
Árbitro: Abraham Klein (Israel)
Auxiliares: Thomson Chan Tam Sun(Hong Kong) e Bogdan Dotchev (Bulgária)
Data: 05/07/1982
Estádio: Sarriá, em Barcelona
Público total: 44.000

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