terça-feira, 17 de julho de 2007

Você doaria um pouco de si?

Aos 40 anos, Steven Aman, um químico americano, começou a fazer o bem – como trabalho ambiental voluntário ou doações de sangue – e descobriu que recebeu muito mais que doou. “Jamais pensei que alguém pudesse se sentir gratificado doando, sem esperar nada em troca.” Ele se sentiu tão bem que começou a seguir o costume indígena de pegar algo que não usava e colocar num lugar onde outros pudessem pegar caso precisassem. O que ele acabou oferecendo foi algo bastante especial: o próprio rim.

Steve é o que se chama de um doador anônimo em vida (DAV), que doou seu rim para um dos milhares de pacientes que aguardam um transplante. Esse órgão esponjoso no formato de um feijão é tão precioso que há alguns anos alguém tentou leiloar seu rim pelo site ebay, nos Estados Unidos. Antes que a transação fosse abortada por ser uma negociação ilegal de órgão, os lances já tinham chegado a US$ 5,7 milhões!

Desde o início das doações de órgãos nos anos 1960 (muito depois que o mítico deus grego Prometeu sacrificou seu fígado por ter entregue a dádiva do fogo à humanidade), os especialistas médicos e psicólogos têm suspeitado da saúde mental dos doadores. A pesquisadora canadense Antonia Henderson constata: “Essas pessoas simplesmente me deixam perplexa. Qual é o benefício psicológico obtido por uma pessoa perfeitamente saudável ao se comprometer fisicamente desse modo? Um transplante de pai para filho é fácil de entender, mas doar seu rim para alguém completamente estranho! Por favor, será que alguém pode me explicar essas pessoas?”.

Altruísmo – especialmente do tipo DAV – parece contradizer as teorias dos biólogos evolutivos, conhecidas por “benefício da troca” ou “altruísmo direcionado ao parentesco”. Segundo elas, o que parece ser uma generosa boa ação é meramente uma estratégia para fazer com que os outros o ajudem também. Ou uma forma de preservar os parentes, que carregam seus genes. Steven tenta explicar. “Não fiz nada de extraordinário. Eu só queria ser um instrumento disponível, agradecido por ser usado pelo Espírito.”
Os sintomas físicos do altruísmo foram recentemente mostrados num experimento feito pelo psicólogo Ulrich Mayr, na Universidade do Oregon, nos EUA, e publicado na revista Science. Saber que seu dinheiro vai para uma boa causa ativa os mesmos centros de prazer no cérebro que são estimulados por comida e sexo. Dezenove voluntários receberam US$ 100 cada um. Sua atividade cerebral foi rastreada quando eles viram o dinheiro sendo automaticamente transferido de suas contas para um fundo de caridade. Isso ativou uma antiga parte do cérebro – o núcleo acumbens – ligada ao prazer. O efeito foi ainda maior quando eles optaram por doar o dinheiro. “O que realmente interessa é que essas áreas de prazer existem para necessidades básicas, como alimento, sexo, doces e abrigo. São as áreas que dizem a nosso cérebro o que é bom para nós”, disse Mayr.

“O resultado mais surpreendente é que esses centros básicos de prazer não respondem apenas àquilo que é bom para nós mesmos. Eles também rastreiam o que é bom para outras pessoas.” E uma vez que ninguém – nem mesmo os pesquisadores – sabia quanto dos US$ 100 aqueles voluntários decidiram guardar consigo ou doar, foi o ato de doar em si, e não a recompensa egoísta de ser reconhecido como um filantropo, que proveu a satisfação. “O fato de acharmos prazeroso pagar até mesmo os impostos obrigatórios para o bem-estar dos outros sugere fortemente a existência de um puro altruísmo”, conclui Mayr. “O que demonstra que somos capazes de nos sentir bem ao fazer a nossa parte.”
Susan Andrews
Psicóloga e monja iogue. Autora do livro Stress a Seu Favor, ela coordena a ecovila Parque Ecológico Visão Futuro.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

A mais antiga das galáxias


Utilizando um telescópio gigante, astrônomos disseram na terça-feira (dia 10 de Julho) que avistaram a mais distante e antiga galáxia já encontrada. A descoberta, que será apresentada à Royal Astronomical Society, ajudará a encontrar novas pistas sobre a origem do universo.

Gerada quando o universo tinha aproximadamente 500 milhões de anos, luz vista pelos pesquisadores está viajando pelo espaço há cerca de 13 bilhões de anos. Para encontrar a galáxia, uma equipe do Instituto de Tecnologia da Califórnia usou um telescópio gigante no Havaí.

-Estamos conhecendo de verdade as nossas origens - disse o astrônomo Richard Ellis, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.
- Esses objetos que nós encontramos são os mais antigos que acreditamos terem sido detectados acrescentou.

Os cientistas puderam ampliar o alcance da observação apontando o telescópio para galáxias próximas que refletem a luz. O efeito que a luz emitida por corpos distantes assume ao passar por campos de gravidade de objetos próximos é baseado em uma das primeiras teorias de Einstein.

- Nós encontramos áreas do espaço que funcionam como poderosas lentes de ampliação. Alguns desses lugares aumentam o universo até 20 vezes - disse Ellis.

A descoberta oferece novas pistas sobre as origens do universo, que cientistas acreditam ter sido criado por uma explosão de energia - o chamado Big Bang. Segundo Ellis, durante os primeiros 300 mil anos o universo foi extremamente quente antes de entrar em um período escuro em que as estrelas ainda não haviam se formado. As novas observações podem esclarecer como as estrelas começaram a brilhar, disse o cientista.

Washington e Londres - Globo Online

terça-feira, 10 de julho de 2007

Icebergs podem ajudar a conter efeito estufa, dizem cientistas


Os icebergs do mar em volta da Antártida podem ajudar na absorção de gases causadores do efeito estufa, sugere um estudo publicado na revista Science Express.
Pesquisadores dizem que, na medida em que os icebergs derretem, eles liberam material rico em ferro. Isto estimula o desenvolvimento de ecossistemas marinhos que podem ajudar a remover dióxido de carbono da atmosfera.

Este desenvolvimento inclui o aumento de fitoplâncton, que atrai outras criaturas marinhas.
Os cientistas encontraram populações de aves, krill (um pequeno crustáceo, semelhante ao camarão), algas e peixes sobre e em volta dos icebergs.

Algas e krill, particularmente, ajudam a retirar o dióxido de carbono da atmosfera.
O chefe do estudo, Ken Smith, do Aquário do Instituto de Pesquisa da Baía de Monterey, na Califórnia, diz que o estudo é ainda preliminar, mas ele não duvida do impacto dos icebergs na concentração de CO2.

"Os pesquisadores estudaram dois grandes icebergs usando um veículo submarino por controle remoto. Eles puderam detectar um aumento na concentração de vida marinha e aves até 3 quilômetros em volta destas ilhas de gelo flutuantes", afirmou.

Nos últimos dez anos, o número de icebergs nas águas em volta da Antártida aumentou, na medida em que os blocos gigantescos de gelo se rompem da calota, por causa da elevação das temperaturas, diz o repórter da BBC, Matt McGrath.

Agora, o primeiro estudo detalhado do impacto ambiental destes icebergs diz que eles estão tendo um papel positivo na contenção do aquecimento global, apesar de estarem derretendo por causa do fenômeno.


BBC Brasil
 
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