sexta-feira, 1 de maio de 2009

O legado do tricampeão Ayrton Senna

Viviane Senna. Foto de 16.07.2003 - Divulgação


Ayrton Senna deixou dois legados para os brasileiros. O primeiro são os valores que ele vivenciava dentro e fora das pistas: motivação, dedicação, determinação, busca da perfeição e superação. Esses valores do Ayrton são, até hoje, como combustível para todo brasileiro alcançar suas vitórias cotidianas.

O Instituto Ayrton Senna, criado em novembro de 1994, é o outro legado. É a concretização do desejo de meu irmão em fazer algo amplo e sistemático para oferecer a crianças e jovens as oportunidades necessárias para que desenvolvam seus potenciais e sejam campeões na escola e na vida. O que fazemos é ajudar a mudar a realidade educacional de milhões de brasileiros menos favorecidos, oferecendo a crianças e jovens educação de qualidade. Para isso, estabelecemos parcerias com o poder público e privado.

Este ano completamos 15 anos de atuação. Desde 1994, atendemos mais de 11,5 milhões de crianças e jovens em 1.372 municípios de 26 estados e Distrito Federal. Para isso, capacitamos 553.512 educadores. Em 15 anos, foram investidos R$ 203.417.308,00 nos programas educacionais.

Uma parte dos recursos vem dos 100% dos royalties sobre uso de imagem do Ayrton e do Senninha, cedidos pela minha família ao Instituto. Hoje temos 240 produtos licenciados poressas duas marcas. Outra parte é gerada pelas alianças com cerca de 80 empresas socialmente responsáveis, que possibilitam a implementação dos programas em larga escala pelo País.

Desde 2008, abrimos espaço para as doações de pessoas físicas porque muitos nos procuravam para abraçar a causa e não sabiam como fazê-lo. E porque ainda há muito por fazer pela educação do País. Agora, qualquer pessoa entra no nosso site www.senna.org.br , cadastra-se e passa a ser um doador, um Fã de Carteirinha da Educação.

Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna

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Saudades de Ayrton Senna, o piloto-espetáculo

Ayrton Senna em seu último GP do Brasil. Foto Julio Cesar Guimaraes / 25.03.1994


Até hoje não consigo esquecer o momento, em Ímola, em que, correndo para a Tamburello, encontrei o italiano Angelo Orsi, fotógrafo da revista "Autosprint" e amigo de Ayrton. As lágrimas corriam pelo seu rosto aturdido e, com os olhos arregalados, me disse, em tom de desespero:

- Não vá até lá. Ele está em situação crítica. É o fim.

Quinze anos se passaram. O combativo Ayrton Senna, que nunca se calava diante das coisas que não lhe pareciam corretas, foi embora de modo silencioso. O choque, a inconsciência, a morte sem uma palavra sequer. O personagem especial, que durante toda sua vida teve a determinação como sua maior força, levou com ele o mistério maior. Por que o Williams foi direto contra o muro da Tamburello?

Um dia, no meio do ano de 1994, em companhia de Giancarlo Faletti, jornalista do "Corriere della Sera", fui visitar a fábrica da Dallara. Fomos recebidos pelo chefão Gian Paulo Dallara, um especialista em chassis e que já tivera um time de Fórmula-1. Não resisti e perguntei a ele o que poderia ter acontecido em Ímola. A resposta que ouvi me emocionou.

" Se há uma certeza na trajetória de Senna pela F-1 é a de sua enorme competência para fazer uma volta rápida. Nesse quesito, ele é o numero um da história "

- O piloto se chamava Ayrton Senna, a partir daí só posso crer que houve algum problema com o carro.

Nunca saberemos exatamente o que aconteceu. Frank Williams admitiu a quebra da barra de direção, mas o projetista do carro, Adrian Newey, hoje na Red Bull, até hoje não se julga capaz de um diagnóstico definitivo.

Aquele começo de ano foi complicado para o time inglês. O regulamento sofreu mudança radical, com a proibição da suspensão ativa, ajuda eletrônica que havia garantido para a Williams-Renault os títulos de 1992, com Nigel Mansell, e 1993, com Alain Prost.

Há duas temporadas em rota de colisão com Ron Dennis na McLaren, desde o inicio da temporada de 1992 Ayrton não poupava elogios ao carro de Sir Frank. Dizia abertamente que com ele seria campeão do mundo e que por aquele cockpit topava até abdicar do salário. Retórica que não funcionou. Prost, que vinha de um ano sabático, por ser francês (o motor era Renault, não se esqueçam), foi o escolhido para o lugar de Mansell que, aborrecido com o desprezo da equipe, decidiu correr nos Estados Unidos.

Senna, carne de pescoço, não desistiu de seu objetivo e continuou em 1993 com sua campanha para correr pela Williams. Em agosto fui encontrá-lo no hotel em que morava em Londres. Informaram-me que havia saído para uma reunião com Frank Williams. Sentei nas confortáveis poltronas do elegantíssimo Berkeley, às margens do Hyde Park, e esperei por mais de duas horas até vê-lo surgir com pesada pasta nas mãos e enorme sorriso no rosto.

- Futuro decidido? - perguntei.

- Ainda não, mas só faltam pequenos detalhes. Não posso dizer nada além disso.

Senti que o acordo estava feito, mas que Senna me fecharia todas as portas se eu avançasse o sinal. Inteligente, ele percebeu a gentileza e, em fins de setembro, na sexta-feira que antecedia o Grande Prêmio de Portugal, no Estoril, me deu o esperado recado. Quando lhe perguntaram se estava confirmada sua ida para a Williams, olhou ironicamente para onde eu estava e emendou: perguntem ao Celso, ele pode responder. Fiz o meu papel, disse que não entendi a insinuação.

" Se Schumacher era excelente estrategista, um mago da concentração e do cálculo da corrida, Ayrton era adorado mundialmente por sua paixão pelo combate, por ser o piloto-espetáculo "

Os primeiros testes com o Williams-Renault de 1994 foram terríveis. Sem a suspensão inteligente, Newey teve que fazer um carro novo. Eu e Pedro Bial, na época repórter da TV Globo em Londres, únicos jornalistas brasileiros na pista de Paul Ricard, vimos um Ayrton cabisbaixo e preocupado. A falta de estabilidade da traseira era evidente e nas curvas ele tinha que lutar para manter o carro no asfalto.

A temporada começou e o talento de Ayrton mascarou o problema. Se há uma certeza na trajetória de Senna pela Fórmula-1 é a de sua enorme competência quando se tratava de fazer apenas uma volta rápida. Arrisco dizer que, nesse quesito, ele é o numero um da história. Seu talento natural permitia que corresse enormes riscos e fez com que, mesmo tendo na mão um trator, conseguisse a pole nas três primeiras corridas de 1994: os Grandes Prêmios do Brasil, em Interlagos; do Pacífico, em Aida, no Japão; e de San Marino, em Ímola. Nas duas primeiras, não terminou; na terceira, sofreu o acidente fatal.

A história se incumbiu de mostrar que Senna estava certo ao escolher a Williams. O talento de Adrian Newey conseguiu, durante a temporada, acertar o carro de maneira primorosa. A tal ponto, que a equipe venceu com facilidade entre os construtores e Michael Schumacher só se tornou campeão do mundo na ultima corrida, na Austrália, menos por seus méritos e mais pela incompetência de Damon Hill, o companheiro de equipe de Senna.

Enquanto Schumacher esteve nas pistas choviam mails me perguntando quem era melhor, se o alemão ou Ayrton. Nunca fui capaz de responder. Não sei. Só lamento que não tenhamos tido a oportunidade de assistir a esse confronto. Seria uma luta de pesos pesadíssimos, de gigantes com qualidades diferentes. Se Michael era excelente estrategista, um mago da concentração e do cálculo da corrida, Ayrton era adorado mundialmente por sua paixão pelo combate, por ser o piloto-espetáculo.

Tenho saudades dos muitos e muitos bons momentos que Ayrton Senna me proporcionou. Não me refiro a façanhas grandiosas como a de Donington Park, mas a coisa mais prosaica, habitual. Eu costumava chegar ao autódromo na quinta-feira e desde o momento em que colava o adesivo, marcando meu lugar na sala da imprensa, toda minha expectativa estava voltada para o sábado à tarde, para o treino de classificação. Havia em mim - e não estava sozinho - a certeza de que seria brindado, no ultimíssimo minuto, com uma explosão de emoções, a exibição de gala de Ayrton Senna.

Eu as vi às dezenas. E delas nunca vou esquecer.

Celso Itiberê, colunista do GLOBO, participou da cobertura da F-1 da década de 70 a 1995

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Ayrton Senna - La leyenda no se apaga

"No es que piense en él todos los días, pero siendo brasileño y viviendo la emoción de serlo, vives con él cada momento". Así lo ha hecho Rubens Barrichello durante quince años. El tiempo transcurrido desde aquel siniestro 1 de mayo de 1994. Una imagen grabada a fuego desde la camilla del hospital del circuito, donde yacía tras sufrir un brutal accidente en la séptima vuelta del GP de San Marino. "Desde el primer instante, al ver el accidente por televisión, temí lo peor". Sólo unas horas después, a las 18.40 de aquel trágico domingo, se apagaba la esperanza. El piloto Ayrton Senna había fallecido pero su leyenda comenzaba a nacer. [VÍDEO-LEYENDA: 'MAGIC' SENNA]| [ÁLBUM]

Aquel joven 'Rubinho' es hoy el 'abuelo' de la parrilla. El único superviviente de una parrilla casi olvidada. Amigo personal y 'ahijado' sobre el asfalto de Ayrton Senna, con el que coincidió dos años en el Mundial. "En cierta forma, para mí siempre ha estado presente". Barrichello rememora aquel fin de semana con gran dolor. "Cuando recuperé la consciencia y abrí los ojos, vi que Ayrton estaba a mi lado". El campeón acudió de inmediato al hospital a verle tras enterarse del accidente. Fue dos días antes de su fatal despedida.

Cuentan que durante el fin de semana, el tricampeón no vivió un solo momento de tranquilidad. Primero, el susto de su protegido Rubens y al día siguiente, en la jornada del sábado, un accidente mortal. El novato austriaco Roland Ratzemberger estrellaba su Simtek contra el muro a 300 km/h. Otro mal augurio para Senna, que se llevó la amonestación de la FIA por acercarse a inspeccionar el lugar del accidente. Instantes antes, su Williams-Renault ya había firmado su 65ª y última 'pole'. Su legado final, que bañado en llanto durante la jornada previa a la carrera.

Una de las noches más complicadas de 'Magic' Senna, como aseguró en una conversación telefónica con su entonces novia, Adriane Galisteu. "No tengo buenos augurios. Si pudiera, no correría". Intranquilidad que volvería a expresar en sus últimas palabras al mundo instantes antes de la carrera. "Mi monoplaza es difícil de conducir. El circuito es resbaladizo y peligroso. Faltan escapatorias...". Pero el brasileño se colocó el casco y se incrustó en el 'cockpit' junto a una bandera de Austria, como homenaje al piloto fallecido, en lugar de la habitual de Brasil con la que acompañaba cada victoria en su vuelta de honor.

Un accidente en el arranque de la prueba añadió un poco más de caos a la colapsada mente del brasileño, que trataba de templar los nervios tras el coche de seguridad. Fueron cinco vueltas, con el Benetton de Michael Schumacher en el retrovisor. Las últimas de su vida. A las 14.18, en la entrada en la curva Tamburello, Senna, que circulaba a 310 km/h, perdía el control de su Williams y se estrellaba contra el muro. Un golpe brutal y definitivo. Los médicos del hospital Maggiore de Bolonia certificaban su muerte a las 18.40 horas. El descomunal abanico de dudas, negligencias y responsabilidades no desveladas también forma parte de aquella funesta tarde de domingo.

Las lágrimas de Schumacher

El calendario ha tratado de mitigar, carrera tras carrera, campeón tras campeón, los efectos de aquel inesperado adiós. Un golpe a la Fórmula 1, del que tardó tiempo en recuperarse Michael Schumacher. El entonces joven piloto alemán, que pisaba los talones a Senna con su Benetton, fue testigo directo del accidente. Una imagen imborrable marcada en cada uno de sus inigualables siete títulos mundiales. "Son los recuerdos más grandes que tengo. Para mí fue impresionante".

'Schumi' ganó su primer título en 1994, sin Senna sobre el asfalto. Sin embargo, desde su estreno en 1991, tuvo tiempo de recibir algunas broncas y vivir intensos duelos con el brasileño, que consideró al 'Kaiser' como una gran amenaza. Quizás por eso, el frío y calculador Schumacher rompió a llorar como un niño en la sala de prensa del GP de Italia, seis años después de la tragedia. Con su 41ª victoria igualaba el récord de victorias de Senna, desatando un torrente de lágrimas. "Fue algo increíble y un momento muy especial". Hacía tiempo que su antiguo rival se había transformado en ídolo.

Lágrimas que aún hoy muchos nombres del 'Gran Circo' mantienen bajo llave de cara al público. Es el caso de Frank Williams, dueño de la escudería, que mantiene en carne viva la enorme herida. "Fue muy difícil de digerir. Era una persona especial. Su destreza y valentía fue de tal magnitud que hizo de menos a la generación de pilotos posterior". Sentimientos similares a los del ingeniero del vehículo, Adrian Newey, ahora con Red Bull, al que los éxitos en su carrera siguen eximiéndole de responsabilidades. Ambos, junto a Patrick Head, ex director de la escudería, cargaron con el siniestro hasta 2007, cuando el Tribunal Supremo italiano anunciaba que el delito había prescrito.

Los recuerdos de David Coulthard también encierran el imborrable poso del tricampeón. El escocés, que alargó su carrera hasta la pasada temporada, tuvo el embarazoso honor de ocupar el volante del brasileño. Excesiva presión para un debutante, que obligó a Williams a intercalarle con el británico Nigel Mansell. "Era una grieta enorme, imposible de cubrir".

Hoy, quince años después de su muerte, la llama de Senna permanece viva. En la mente de cada piloto. De cada generación. Las comparaciones de Fernando Alonso o Lewis Hamilton con el brasileño son constantes, y su declarada admiración, también. De ahí que el tricampeonato, la subida al altar del brasileño, sea casi una obsesión para ambos. "De Senna me han contado muchas cosas buenas que no me importa oír que yo también tengo", afirma orgulloso Alonso. Casualmente, el último verdugo de Michael Schumacher.

Lewis Hamilton tampoco ha escondido su deseo de alcanzar las tres coronas mundiales, como un personal homenaje al brasileño. Es más, en la última cita de Montecarlo, tras una espectacular exhibición bajo la lluvia, un emocionado Hamilton rindió su tributo al otro rey de Mónaco. "Estuve pensando en Ayrton Senna durante las últimas vueltas".

Pero la llama prende con mayor fuerza en la escudería Williams. En los entresijos de su box, antes de cada Gran Premio, un operario saca brillo a cada milímetro de la 'S' que luce el monoplaza en su alerón delantero. Un ritual obligado desde 1994. En Tamburello, se apagó un piloto. Por suerte, su leyenda es inagotable.

Carlos Guisasola

http://www.elmundo.es

http://www.elmundo.es/elmundodeporte/especiales/2009/03/f1/leyendas/senna.html

 
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