quarta-feira, 30 de abril de 2008

‘2001: Uma odisséia no espaço’ completa 40 anos


Em 29 de abril de 1968, o filme “2001: Uma odisséia no espaço” chegava aos cinemas brasileiros e provocava no público daqui o furor que causou um mês antes, em sua estréia nos EUA.

Hoje, 40 anos depois, o longa-metragem de Stanley Kubrick é considerado um clássico, mas ainda gera discussão, seja por sua visão perturbadora do futuro, seja por sua estética e seus efeitos especiais inovadores.

“Se alguém entender o filme da primeira vez, nossas intenções terão falhado”, anunciou no lançamento Artur C. Clarke, co-roteirista e autor da obra original, que morreu no mês passado.


Elogios e ataques

A declaração de Clarke inflamou a opinião pública e provocou um racha na crítica. Na época, ao contrário do que se possa hoje pensar, “2001” recebeu não apenas elogios, mas também duros ataques.

O jornal “Boston Globe” classificou o longa como “o filme mais extraordinário do mundo”, a revista “New Yorker”, como “um trabalho inesquecível” e a “Time”, como “um épico brilhantemente dirigido”.

Mas, do outro lado, o “New York Times” liderava a patrulha anti-“2001”. “É algo entre o hipnótico e o imensamente chato”, apunhalou a jornalista Renata Adler, do “NYT”, seguida por outros veículos, como a “Variety” e o “New Republic”, que não pouparam críticas à produção de Kubrick. Para eles, “2001” era “pretensioso”, “um fiasco” , “um desastre” e “monumentalmente sem imaginação”.

As críticas contribuíram para que Kubrick lançasse, poucos dias depois, uma nova versão do longa-metragem, com 19 minutos a menos do que a edição original, de 160 minutos.


Intensamente subjetivo

Mas uma pergunta continua sem resposta: qual era a mensagem que Kubrick e Clarke queriam passar? Em entrevista à revista “Playboy” na época do lançamento, o cineasta rejeitou perguntas sobre o significado do filme: “Você gostaria que Leonardo Da Vinci tivesse escrito abaixo na ‘Monalisa’ ‘esta moça está sorrindo porque ela tem um dente podre’? Eu não quero que isso aconteça com ‘2001’.” Kubrick se limitou a descrever “2001: uma odisséia no espaço” como “uma experiência intensamente subjetiva”.

Na verdade, a odisséia começou em 1965, quando o diretor ainda curtia o sucesso de "Dr. Fantástico" e surgiu a vontade de filmar uma ficção científica sobre vida extra-terrestre. Kubrick, que era um grande fã do gênero, resolveu contactar o escritor veterano Arthur C. Clarke para formar uma parceria. O autor sugeriu a adaptação de um de seus contos, "The sentinel", que tinha cenas na lua.

A dupla começou a escrever o roteiro e o romance paralelamente, e a combinação era de que ambos assinariam tanto o script quanto o livro. Entretanto, Kubrick acabou ficando sem crédito pelo romance. Há boatos de que o cineasta teria feito uma troca com Clarke: abriria mão de sua assinatura no livro se o filme tivesse prioridade de lançamento.


Um épico em três partes

Com uma trilha sonora clássica marcante, o diretor dividiu o filme em três partes. A primeira mostra as origens da humanidade, com primatas prehistóricos lutando pela sobrevivência. Em um dos momentos brilhantes do longa-metragem, um macaco joga um osso para o alto após derrotar seus inimigos, e o objeto gira no ar fazendo a transição do passado pré-histórico para o futuro espacial.

A segunda parte mostra a rotina dos astronautas Dave Bowman (Keir Kullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) a bordo do Discovery One, em que também viaja o supercomputador HAL 9000, uma máquina que se mostra cada vez mais humana. Na terceira, Dave embarca numa viagem desafiadora do espaço e o tempo, que o leva a uma épica revelação final.

Embora visualmente rico, com efeitos muito à frente de seu tempo, "2001" quase não tem diálogo, o que até hoje faz com que parte do público torça o nariz. Estima-se que em mais de dois terços da projeção nenhuma palavra seja dita.

Hoje, absolvido pela história do cinema e pelos críticos de todo o mundo, "2001" é uma unanimidade na maioria das listas dos melhores filmes de todos os tempos e sobrevive como uma obra atual e obrigatória. Kubrick parece ter alcançado o que pretendia: “se o filme conseguir atingir pessoas que nunca pararam para pensar no destino do Homem, terá tido sucesso”.

Carla Meneghini - G1


http://www.kubrick2001.com/

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